Buscando não se sabe bem o quê.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Quando o Singelo Brotou no Mar


PRIMEIRA
De que adianta tantas flores e vazos perfeitos, cores e muitos nomes maravilhosos, cheios de charme se não consegues administrar decentemente tua vida?
De que adianta beber água da fonte sublime e tempestiva da tua vaidade se não consegues dizer a sinceridade mansa que acalma a tua verdade?
De que adianta balbuciares todos os pecados do mundo, a ira, a gula, a soberba e a luxúria se não consegues conviver gentilmente com nenhuma pessoa?

SEGUNDA
Há algo de errado no ponto de vista de quem pensa que o mundo existe apenas para si.
A tormenta do desencanto um dia baixa e afoga as vicissitudes de quem respira apenas o seu cheiro.
Um dia ela chega e bate a porta fria da alma penosa e desencantada da solidão dos sentimentos.
E preenche todas as metas em poucos segundos, quebra o record de todos os desafios.
E penetra incandescente, como órgão rígido, na pele que se abre flexível na busca de um conforto imperfeito.

TERCEIRA
Milagres podem vir um dia. Eles podem descer dos céus ou das estrelas. Eles podem, inclusive, nascer do teu próprio corpo. São máculas de sentimentos e ressentimentos deixados ao deus dará. E na hora da noite, quando tudo se acalma e se prepara para o amanhescer do novo dia, ele ingressa sorrateiro no sonho dourado de uma mente atormentada pelo desespero do dia a dia.

QUARTA
Não existe segunda-feira precária e nem domingo perfeito. Existe a emoção do dia a dia e o desafio de administrar a eterna felicidade. Nossa busca já está definida. Mas o segredo para seu encanto floresce na mais curta das rosas. Um galho que ninguém percebe e se solta do vaso recém plantado. Uma fagulha de água cristalina corre sobre o verde da folha caída na manhã de uma primavera sem nuvens. Tudo muito fotográfico, azulejos antigos, azul turquesa de uma piscina quase suja. A mangueira que solta a água como se fosse fonte adormescida. O conta-gotas de sempre que impede o fluxo perfeito que deve jorrar todo o tempo do mundo. E nós aqui discutindo paixões de cristo, o vermelho da camisa do ditador e o gol rezado do jogo do próximo domingo.

QUINTA E ÚLTIMA
Alguém um dia disse que é horrível conhecer. A gente utiliza certas frases no momento exato porque elas já foram ditas, também, nas horas incertas. A insensibilidade do vivente que passa horas alimentando seu ego vazio. Mas quem pode dizer uma verdade dessas? Quem aqui é autoridade para definir as novas prioridades? É horrível conhecer quando nossa mente está corrompida pelo virus do determinismo. Ninguém pode apostar no cavalo que vai vencer amanhã. Não existe receita certa para tomar o remédio que vai viciar nossas vidas. E segue o rio cheio de vasos de quimeras falsas pendentes e candentes que se abrem na direção do buraco negro do desafio.


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