Buscando não se sabe bem o quê.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Aos 41


Eu te vi e como te vi
Adorei te ver
e te procurei
Falei e falei
E, enfim, te convidei
E você recusou
Dias depois, te liguei

Convesa vai
Conversa vem
Vamos sair?
Você aceitou
A gente circulou
Com amigas
Sem amigas
Publicitá, Cafés e Cinema

E um dia te convidei
Tigrinha, queres conhecer minha vida?
Você subiu
E ali ficou
Tinhas vinte e poucos anos.

Os ventos fortes movem moinhos
Fugimos do sol
Olhamos para a lua
Encaramos os trovões
Plantamos a pequena sementinha
Cuidamos dela com muito carinho
Com Amor ela cresce bem

A gente está aqui
Ouvindo a chuva da manhã de terça-feira
Eu levanto às seis e você não acredita
Agora dormes bem
Sonho para que sonhes sem pesadelos
Como é dificil levantar no aconchego do nosso edredom
Te vejo e sinto serena e madura - quero ficar
Porque és mulher, minha eterna bípede

É lindo fazer parte da tua vida
aos 41.

domingo, 29 de junho de 2008

Por Causa do Tablete


Ela tá cansada, porque dormiu pouco, porque está sem forças e ainda gripada. Ela tem que lavar a louça e não encontra o maldito do tablete. E não existe ninguém para ajudá-la. O pequeno está com fome e ela abre a bisnaguinha e derrama doce de leite. O maior parece que saiu. Pelo menos não se houve barulho dele pela casa. Quem está sempre presente com ela é o cachorro. Bondoso, querido e bonitinho ele é a razão de um certo e necessário bem-estar. E o tablete que se dissolve na água para tirar a gordura da louça suja do jantar feito pelo maior? Procura por todos os cantos e não encontra. Vai ter que ir até a venda, mas o pequeno não pode ficar sozinho. Ele não quer sair para a rua em dia mais ou menos chuvoso. Ela está com raiva do maior, porque ele não aparece na hora que tem de aparecer. Onde anda esse diabo?
*foto de Chema Madoz

sábado, 28 de junho de 2008

Caminhando na Direção de Si Mesmo


Encurralado, o ato, a conta. Sem notícia, de plantão, a noite inteira. Sublime, perda, para ter um dia tranquilo. Sem dormonid, sem guaraná - nem picaretagem. Acordou num dia de peso, calçou o tênis foi para a rua perambular. No centro tomou um taxi foi a algum lugar. Sem muita grana, deu no que deu. Estava com pressa. Meio desesperado. Normal, é assim que ele sempre anda. Dizem que é paranóia, melancolia, mas tem gente que diz que é safadeza mesmo. Sei lá, o cara é complicado mesmo. Chega ao ponto e é recebido por uma senhora velha e cabisbaixa. Ela olha para ele e não sorri. É mais um freguês de outra freguesia. Ponto.


Questão de honra, ele diz. Questão de honra. Dei minha palavra e investi minha grana. Questão de honra. Juro que não entendi bulhufas. Tentei visualizar de divesos ângulos e não entendi bulhufas. O que ele fazia ali? O que ele estava fazendo lá? Se tava sem grana, por que veio de taxi? São perguntas e outras questões que ninguém vai saber, porque o filme é enigmático. É tudo muito soturno e a obscuridade é o segredo de certos negócios.


Tá curioso? Toma um chá verde que acalma. Mas não é qualquer chá verde. Tem que ser o legítimo, o japonês mesmo.


O taxi ficou esperando e ele disse para voltar no mesmo lugar. Chegou em casa e abriu o embrulho. Não era bem um mapa secreto, mas era quase isso. Era um pequeno portal onde ele entrou e começou a falar de forma insistente. Falava da vida e falava de tudo. Falava sem parar. Falou do passado bem distante, do passado recente, do presente e dos sonhos do futuro. Falou até o tempo passar. E o tempo passou e a hora terminou. E ele foi para a rua viver a vida.

terça-feira, 24 de junho de 2008

A Conta


Toda a vez que eu chego no escritório e tenho que pagar uma conta grande, eu enrolo. Faço o que eu tenho que fazer, faço o que eu não tenho que fazer e vou deixando a conta se perder pela mesa, até ela ficar desaparecida. E quando chega 6 horas da tarde, na última hora crucial, vou correndo atrás da maldita conta para pagar. Acesso essa geringonça aqui que me conecta para a minha pequena -- e cada vez mais minúscula -- caixa forte. Digito os números do meu cofre e geralmente erro, porque os seres viventes vão perdendo a nitidez da visão. E depois de digitar todos aqueles números repetitivos e nebulosos eu dou um ok e a conta aparece paga. Eu não vi meu rico dinheirinho saindo da minha continha e indo parar na conta da American Express, mas ele sai rapidamente - com a mesma rapidez com que se gasta - e já está lá, pelo menos é isso o que o comprovante digital chamado 'certificado' mostra, ou tenta mostrar. Sei lá. Depois, eu sempre penso a mesma coisa: pelo menos a conta deste mês está paga e a do mês seguinte?

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Sambinha da Confiança



eu sei
fiquei sabendo
ontem
Não me enrola
Eu disse não me enrola
não atrapalha
deixa eu raciocinar
please

Me deixa por um minuto me deixa
deixa eu ser um pouco eu deixa
deixa eu ver um pouco a mim deixa
deixa eu
please

Quanto sufoco nessa noite mórbida
desatenção no límite cítrico
rapidez tremenda na formatação líquida
E eu aqui na visão cíclica
Esperando a gota do teu passo límpido

É proparô
Proparô
xitonaaaaa
É proparô
Proparô
xitonaaaa

Quando Um Dia o Tempo Passa



Quatro ou cinco, meia dúzia, talvez meia dúzia. Ela contou e continuou a contar. Quando e quantos haviam sido. Ele olhou para ela perplexo diante de tão grande intimidade. Nunca tinham tido esse tipo de papo. Mas ela resolveu falar. Não se sabe se este assunto estava trancado em sua garganta, talvez fosse alguma necessidade de dizer algo diferente, fugir daquela vida diária que eles tanto evitavam chamar de rotina. Mas a vida é assim e assim passam os dias, mesclando conhecimentos, caprichos, implicâncias, ressentimentos e doses de pequenas luxúrias. E lá se vai, também, o tempo que acompanha a vida e é testemunha das alegrias da infância, das conquistas da juventude, da beleza da mocidade e da firmeza da meia-idade. O tempo corre e cada vez mais rápido. A angústia cresce. Sentiam-se despreparados para o tempo presente. Naquela noite eles, enfim, dormiram - cada um para o seu lado. Na manhã seguinte ele pouco falou com ela e ela até mesmo vibrou com o acontecido, apesar de ter sonhado com situações envolvendo culpas e remorsos. Ela amanheceu pesada. Percebeu algo que nunca havia percebido ou sentido. As pequenas rugas que ela tentava esconder com cremes e sabonetes estavam também inseridas na sua intimidade. Ela olhou no espelho da manhã e - pela primeira vez na vida - se achou amadurecida.


domingo, 15 de junho de 2008

Pode ser


Pode ser bom, até ser bom. Pode ser doce e mais doce. Pode ser claro, pode ser nítido e pode ser nublado. Pode ser nebuloso, obscuro, mas pode ser límpido. Pode ser único, mas pode ser diverso. Pode ser ser objetivo, pode ser prolixo, pode perder a poesia, a rima o ritmo. Pode não ser claro, pode ser outra coisa. Pode ser diferente, completamente diferente. Pode ser de outro modo. Isso, pode ser de outro modo. Pode ser de todos os modos. Enfim, pode ser aquilo, aquele outro, ou aquele ali. Tanto faz. O importante é que pode ser. Mas pode não ser. Pode dar errado. Pode ser é apenas pode ser. Não significa que é. Pode dar zebra. E aí complica, porque poderia ter sido, mas não foi. Pode ser que eu esteja errando. Pode ser que eu esteja errado. Pode ser que isso tudo aqui seja o mais correto dos corretos. Pode ser. Não significa que seja. Não significa que é. Pode ser.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Pecados de um pequeno deus


Peco na insistência, na dúvida, na vontade de fazer amor sem dor.
Peco porque sou vítima de todas as circunstâncias e por isso eu posso pecar.
Peco porque sou deus, sou o criador da minha própria natureza, o dono do meu mundo.
Peco porque este corpo é meu e sei como fazê-lo feliz. Apenas eu sei disso e mais ninguém.
Peco porque circulo pelo meu mundo soberano, o império de todas as minhas coisas. Minha terra de ninguém. Paraíso do meu próprio dom. Empório das minhas alucinações. Depósito de todos os meus pertences. Inventário de todos os meus patrimônios. E assim quero ser lembrado para todo, por tudo e por sempre.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Boneca Caduca


De todo o ralo que exprime o fumo
Aparenta a malvadeza do craque vilão
Se por sorte parecer malvado
Problema teu.
Evita esse pesadelo.

Acorda. Resgata tua alma de fome vazia
A fonte absoluta que inunda o corpo
Molhado, faminto, abastecido
de piedades tolas e misericórdias insossas
Te vira, meu amigo de sangue
Te vira, que a vida é curta.

Teu longo silêncio não me resgata
Não me abastece teu riso maroto
Não me venhas com velhos gibis
e com as velhas senhas ocultas
procuras algo? Encontre

Lá na imensidão da velha garagem
caiu uma boneca vesga
Os carros passam por cima
Os pássaros bicam sua alma
Ela permanece ali, inerte
Ninguém pega, porque ninguém viu
Ela é torta e parece engraçada
Meu amigo maroto se entorpeceu
Olhou para ela e morreu de amor
Foi enterrado na capela de outrora
Sua memória eu esqueci
E o corpo da boneca caiu no tunel vazio
de um falso passado.

Vapt e Vupt


Oi, minha rainha, deusa da minha vida, minha credibilidade ambulante. Onde andas nessa tarde de chuva grossa? Por que teu celular não me atende?

Eu te liguei para saber qual a fonte daquela informação que você me passou na última semana sobre aqueles casos complicados que a gente tanto discutiu nos últimos dias. Tenho pensado - e muito - sobre o assunto. Mas não quero falar em público sobre essa história. Pode ser confidencial.

Afinal, o que andas fazendo nessa tarde cinzenta que dá vontade de ficar em casa, deitado na poltrona, comendo pipoca e vendo um filme interessante. São quase quatro horas. Não consigo pensar em mais nada, apenas imagino nossos corpos presos no mesmo senso comum.

Finalmente bolei a idéia de que uma solução razoável possa vir -- mais cedo ou mais tarde. Não é uma grande sacada, mas uma sacada que pode nos tirar de todo esse dilema. O que fazer diante de um singular impasse? Acho que já me perguntei mil vezes. E lá se foram as horas de angustias e felicidades e, finalmente, te encontrei no meio do corredor de passagem. Te disse bom dia e você respondeu que a dor de cabeça havia sumido. Que bom, repliquei, assim você pode aproveitar melhor o dia. Não sei se você ouviu, mas foi isso o que falei.

E nós dois poderiamos estar agora presos no aconchego dos nossos corpos, olhando um para o outro e aproveitando o tempo perdido nos quatro cantos de todas as paredes do nosso principado. Mas não te encontro mais no teu número. Nem tua voz distante eu consigo ouvir. Talvez você tenha crescido ou envelhecido. Olho para mim e vejo minha barriga gorda crescer, minha barba consumir a boa aparência dos meus olhos, minha voz rouca embaralhar minhas frases raquíticas. Não sou mais o mesmo, porque meu orgulho genético parece ter tomado conta do interior das minhas profundas críticas. Esqueci de olhar para mim.

Belas horas de atraso são essas que passo a discutir comigo mesmo. Olho o relógio, no atraso. Falaria outro dia que isso me faz crescer, assimilar meus injustificáveis erros, os equivocos de nós mesmos. Mas agora é cedo ou tarde e o tempo parece que parou para nós mesmos. E a gente percebe nas entrelinhas de nossos discursos a nossa eterna boa vontade. Para quê sermos amigos, se podemos ser amantes? Para quê sermos cúmplices, se podemos ser coadjuvantes?

Deixa de besteira eu diria, deixa para lá, outra hora se discute, diremos um dia. Mas eu quero tudo, toda tua essência, sugar teu corpo, tua mente, tua alma como nunca antes fiz. Posso estar precisando de auxílio, sei lá!, posso estar completamente equivocado, maluco, doidão.

Confesso. Dentro de mim mora um jovem que me acompanha há muito tempo. Ele desfila como eu, com a minha imagem em todos os meus sonhos. Ele não percebe que envelheceu. Ele ainda te chama de rainha e de deusa. Ele te telefona, ele quer saber como você está, o que você está fazendo. Ele sempre te quer como se fosse a primeira vez. Mas ele não resiste ao abandono. Ele pode morrer por isso, mas ele não aceita sacrifícios. É difícil admitir que o tempo passou e não se é mais o mesmo.

Não se trata de um Dorian Gray e nem faz parte do meu retrato. Ele simplesmente não aparece. Ele é apenas uma obscura figura que habita as algemas do meu cérebro e faz parte do meu labirinto particular. Eu poderia chamá-lo de pequeno deus, ou o ceguinho das circunstâncias, mas ele parece ter uma alma ativa, um coração solidário que engana a mim mesmo. Não, ele não está mais doente. Aliás, ele nunca esteve. Ele sobrevive aos meus impulsos. Ele resiste e se manifesta. Às vezes eu o desprezo, porque ele não serve para nada. Nem pode servir. Ele faz parte da minha eterna inconsciência. Ele me incomoda e me diverte. Geralmente, ele me espanta. E o espantoso de tudo isso é que eu nunca tive a mínima vontade de expulsá-lo de minha casa. Ele fica ali, deitado no sofá, assistindo tv de barriga para cima tomando todos os meus vinhos. E eu não reclamo. Eu deixo ele usufruir minhas heranças.

Como tudo parece ser cíclico e o tempo - às vezes - se repete ou custa a repetir resolvi acabar de vez com essa embromação. A hora é agora. Esse pequeno ser tem que sair da toca onde se postou. Vou expulsá-lo. Não vou mais pensar que ele existe. De agora em diante, ele simplesmente não existe mais. Vapt e vupt. Pronto, ele se foi. Foi embora para sempre e agora estou só comigo mesmo. Finalmente, só. Ninguém mais pode intervir nas minhas vontades. Sou o único pensador de mim, o dono das minhas próprias pernas e o ator dos movimentos das minhas faces. Tomei conta do comando de mim mesmo. Assumi meus contornos e minha formatação.

Insisto mais uma vez e o telefone não toca. Minha rainha, deusa da vida, minha credibilidade ambulante está a minha espera na fila da padaria para comprar o pão da noite fria. A chuva cai, a gente se encontra e nada diz. Apenas sorri. Parece que o dia avançou. Parece.

domingo, 18 de maio de 2008

Membranas da Insignificância



Domingo de trago e jogo na tv. Desperta na hora que quer. Deitado no meio do nada. Que se dane o mundo. Idealizando nostalgias do nada. Hoje é dia de Gerald - foda-se o mundo - Thomas. Se o time perdeu, empatou ou ganhou, tô nem ai. Foda-se o mundo. Foda-se tudo, inclusive a garrafa do trago, bebida estúpida que invade a mente e deixa tudo como está, vesgo, tonto, insosso. Coração hipócrita. E não me deixe sentar na poltrona no dia de domingo. Rejeito todas as drogas de aluguel. Coração maduro, rouco amaldiçoado, perene, cego como um deus que cativa a mente da hipocrisia. Tô nem ai, você está? E numa passagem distante lá vem a multidão carcomida pelo vício da estupidez. Eles correm, todos certinhos, alinhados, vestidos com a mesma cor, indo e vindo na direção contrária. Mas você se enganou e pensou e sentiu que eles eram uma miragem, uma estúpida miragem. Grave equívoco de quem não percebe a realidade do mundo dos sonhos; Eles vêm exatamente na tua direção. Eles querem amaçar tua vida. Eles te querem; E quando eles te alcançarem, no meio da correria, você não será mais ninguém. Você voltará a ser nada. Eles vão te absorver. Vão sugar teu líquido, tua membrana da insignificância. E você será estúpido como eles. E o dia se foi e você vai carregar consigo a estranha sensação de que hoje foi um dia sério para averiguar a estupidez humana. Não adianta ver DVD's do Cartola e dizer que o Nei é o máximo. Ninguém te ouve e ninguém te quer. Ninguém sabe nada de ti. Assuma sua insignificância, coração de vivente! Assuma - rápido - o que você é. Porque amanhã será tarde. Tarde demais para recuperar o que se foi. E daí?

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Repetindo a Ginga


Pulsa, pulsa, pulsa. ARREBENTAAA. ARREBENTAAA. Com cara de louco ele desafia. Quem é homem aqui para me fazer de dois? Quem é homem aqui para me desafiar?

O garçom serve uma coca-cola para a moça de mini-saia. Ela está vestida de colegial e espera o namoradinho que ainda não chegou. O nome do garçom é Virgínio, mas todo mundo ali o chama de Vigo. Aquela foi a última noite de Vigo naquele lugar. Não me pergunte, ainda, o porquê.

Antes de tudo isso acontecer, era fim de dia de trabalho e os atores se movimentavam para a zona de agitação da capital. Os bares estendiam suas mesas nas ruas e os nightclubs já animavam tocando acid jazz. Vigo chegou no inferninho e colocou casaco, camisa, calça e laçou a gravata. Começou a servir a fauna.

Uma moça de mini-saia chegou. Vigo nem sentiu sua presença. Ela se instalou junto ao bar e pediu uma coca-cola. O garçom serve uma coca-cola para a moça de mini-saia. Ela está vestida de colegial e espera o namoradinho que ainda não chegou. Ela pede fogo e Vigo acende. Ela pede uma dose de rum. E Vigo atende. Ela disse que Vigo é bonitinho e Vigo sorri. Vigo se anima com a situação e convida a garota para sair depois de tudo terminar. Ela, então, condiciona. Com cara de ardil ela diz: saio contigo se você sair comigo agora, agorinha!

O som pulsa, a música é ritmo puro. A atmosfera é densa. A dança rola e Vigo tira a gravata e começa a dançar. Sua ginga é fantástica, ele deita, rola, pulsa e arrebenta. Pulsa, pulsa, pulsa, arrebentaaaa, arrebentaaaaa! Quem é louco aqui para me desafiar? Quem é homem aqui para me fazer de dois?

Leve, mas com os pés pesados e as mãos suadas ele a abraça e se dirige para a saída. E os dois partem na noite que recém começa. Amanhã é outro dia e Vigo vai ter que arranjar outro emprego. Que se dane o amanhã!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

O Menininho


O menininho corre entre as mesas do restaurante. Ele ri, ele grita, ele sobe e desce as escadas, ele toca no piano, para desespero do bom pianista. O menininho faz barulho, ensurdesce o ambiente, torna tudo um pouco desagradável. Até que o ambiente fica tenso, quase denso. As pessoas se olham, ficam comentando, mas os pais da criança conversam na mesa ao lado completamente despreocupados com os passos e gritos do filho. Até que o menininho dá um grito bem agudo exatamente ao meu lado. Fiquei quase surdo. Olhei para ele e sorri. Por que esse sorriso? perguntei a mim mesmo: porque a lei do politicamente correto manda e determina que não se pode ofender o filho dos outros, por isso sorri. Mas olhei bem na cara da mãe do menininho com um sorriso bem amarelo. Ela olhou para mim e nem percebeu a cor amarela do meu sorriso e engoliu rapidamente o petit gateau. E o menininho continuava a correr pelo ambiente, batucava no piano e outra vez olhei para a mãe e para o pai da criança que continuavam a conversar, como se não fossem eles os responsáveis pelos atos do filho. E assim a noite passou, pedi a conta bem antes do que eu esperava e fui para casa com a sensação de que existe muita coisa errada nesse mundo de deus cego.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Embalo


Balanço que balança
embala
aperfeiçoa
toma conta
como se fosse o núcleo
o âmago que clama
hipnotiza
até adormescer
no silêncio da rede
iluminada
pela lua que cresce

Eu vi


visited 31 states (13.7%)
Create your own visited map of The World