
Um dia chamei Dora para comer num restaurante chique em Copacabana. Feliz ela foi. Ela falou sobre ela. Sua história triste de infância. A vida na Tijuca, na Lapa, no colégio, nos botecos, seus homens e suas mulheres. Mulheres? Sim, mulheres, ela respondeu naturalmente, erguendo com delicadeza feminina o cálice do bom malbec. Você é muito requisitada, arrisquei. Vi que ela não gostou, mas disfarçou. Sou mesmo. Todos me querem, todos me desejam, mas não sou fácil. É que eu enjôo. De manhã cedo quero ir para casa, cuidar da minha vó.
Na manhã seguinte ela levantou, colocou minhas havaianas, fez café, arrumou a cozinha, tomou uma ducha e se foi. Eu pago o taxi para você. E dei uma nota de cem. Ela sorriu, deu um beijo e foi embora.
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