
Hoje de manhã quando estava na ducha pensei em um texto para postar aqui. Todo ensaboado, da cabeça aos pés, fiquei matutando sobre os termos da postagem. Ruminei inclusive a grande imagem que iria chamar atenção dos agentes desavisados. Os meus parcos e insistentes leitores inglórios. Estava tudo perfeito, límpido e claro na minha cabeça bolorada de shampoo. Mas o tempo passa e a gente se engana.
Do que estou falando mesmo? Não, não quero participar das banalidades do mundo. Detesto quando o mundo todo fica em silêncio ouvindo um contador de piadas. Tenho pretensões maiores. Minha arrogância firme não permite que eu me rebaixe para o mundo do populacho.
Minha deusa disse um dia que gostava dos Filhos de Francisco. Aquilo me deixou tão nervoso. Confesso, fui crítico e áspero. Ela não gostou. Fiquei com remorso e vesti a camiseta de bendito. Sou tecnológico e baixei para dar de presente a música em mp3. Meu esnobismo peculiar impediu que eu entregasse a ela o maldito arquivo que se encontra hoje perdido nos labirintos de meu armazém digital. Nunca mais tocamos no assunto.
Estava mesmo tomando um banho de ducha, já atrasado para o compromisso que tinha às 9. Pensei em postar algo aqui -- era disso mesmo que estava falando -- mas meus entorpecidos neurônios conseguiram complicar e nebulizar os significados das minhas mensagens. O que posso, então, fazer?
Tomo linhaça, quando minha deusa me dá. Engulo - três vezes por semana -- remédio para baixar o colesterol. Faço ginástica, corro um monte, jogo tênis, fico suado até encharcar a alma. Mas me esqueço. Sou esquecido, ora bolas.